Paralisações e fortalecimento da democracia

A paralisação dos caminhoneiros durou cerca de 11 dias e manteve, de acordo com pesquisa recente Datafolha, 87% de apoio da população. Há atos em pelo menos 16 estados, entre eles, o Estado de São Paulo. No último dia 30, foi a vez dos petroleiros pararem suas atividades por 72h em defesa da soberania nacional e da democracia.

Foi com grandes greves que a democracia no Brasil se consolidou. Elas são ferramentas dos trabalhadores, por meio de seus sindicatos, para manter direitos não só de suas categorias, mas também de toda a população. Serve para denunciar os desmandos dos empregadores sejam eles privados ou públicos.

Dou como exemplo os bancários, classe trabalhadora da qual faço parte. O sistema financeiro é o único que nunca perde. Mesmo em tempos de crise, os bancos lucram bilhões e, mesmo assim, prejudicam seus empregados.

Nós, bancários, somos uma categoria que possui Convenção Coletiva de Trabalho Nacional. Todos os nossos direitos não foram dados pelos bancos, mas conquistados com nossas lutas, paralisações e greves; graças a uma base sindical forte em todo o país.

Nossas reivindicações beneficiam também a população. Pedir mais contratações, por exemplo, é melhorar a qualidade do trabalho para atender bem aos clientes, diminuir filas.

Voltando à paralisação dos caminhoneiros. Quando se vê pessoas pedindo o retorno dos militares dentro desse movimento é lembrar do cerceamento a livre manifestação e como foi dura a construção de nossa civilização.

É fundamental, em um país como nosso, pensarmos de forma coletiva e apoiar todas as categorias profissionais e suas reivindicações, para que nossa democracia seja mantida. Tempos sombrios só trazem dificuldades sociais para toda a população.

Luiz Claudio Marcolino
Publicado pelo site Aliança Informa em 7 de junho de 2018

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