'Governos do PT levam vantagem na comparação de projetos', diz líder bancário

São Paulo – Em entrevista à TV 247 nesta quarta-feira (1º), o pré-candidato a deputado estadual pelo PT Luiz Cláudio Marcolino disse que as próximas eleições serão marcadas pela disputa entre dois tipos de projeto: de um lado, o bloco desenvolvimentista dos partidos de esquerda, liderados pelo PT – que por 12 anos mostrou que é possível incluir a população mais pobre no Orçamento, com políticas públicas que mudaram a vida das pessoas – e, do outro, os partidos de direita, favoráveis ao desmonte do Estado e à flexibilização de direitos.

"Não dá mais para olhar essas eleições como foram as demais. Vai ser uma campanha com muito menos recursos e muito mais ideológica. São dois projetos diferentes. Tem o modelo neoliberal e o modelo desenvolvimentista, que testamos por 12 anos e a gente percebe que é possível voltar", disse Marcolino, que destacou o golpe do impeachment contra a presidenta Dilma como o fator definidor para dar à disputa eleitoral deste ano esse recorte polarizado.

"O que a gente tem percebido é que todo mundo já sente a diferença entre os governos Lula e Dilma e o governo Temer", acrescentou Marcolino. Tem muitos prefeitos que dizem que quando o PT estava no governo havia muito mais recursos do governo federal para as cidades. Tinha mais saúde, Minha Casa Minha Vida, mais recursos para o Prouni, investimentos na agricultura familiar e em infraestrutura."

O mesmo tende a ocorrer no estado de São Paulo, em cidades da região metropolitana que tradicionalmente votavam no PT e, nas últimas eleições municipais escolheram candidatos de oposição. "Hoje a população consegue comparar que as gestões do PT foram melhores do que as que assumiram agora (nas eleições municipais de 2016), e começam a sentir saudades. É assim nas outras cidades da grande São Paulo. Já no resto do estado, ainda não conhecem o jeito do PT de governar. A parcela que já viu o PT governando sabe que a gente governa para a maioria das pessoas", afirmou o pré-candidato, que apoia a candidatura de Luiz Marinho para o governo estadual.

Marcolino, deputado estadual entre 2011 e 2015, eleito com cerca de 94 mil votos, também questionou a estagnação econômica no estado de São Paulo, após mais de 20 anos de governos do PSDB. Destacou a lentidão na expansão do metrô na capital, e o desmantelamento de bancos públicos estaduais – que poderiam servir de ferramentas de estímulo ao desenvolvimento –, e a abertura de capital da Sabesp, que passou a zelar mais pelos interesses dos acionistas do que em fornecer água potável e serviços de saneamento para a população.

Ele também criticou a elitização das universidades paulistas. "Temos a USP, a Unicamp e a Unesp. Quantos alunos de escolas públicas conseguem estudar nessas três universidades? Pouquíssimos. A nossa intenção é que as universidades sirvam para ajudar o desenvolvimento do estado de São Paulo. Hoje elas não têm esse papel. A classe trabalhadora paga mais de R$ 9 bilhões de reais em impostos por ano, e o filho do trabalhador não tem acesso."

Ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Marcolino afirmou que, entre 2004 e 2010, a categoria saltou de cerca de 97 mil para 134 mil funcionários, resultado da política de valorização dos bancos públicos durante os governos Lula, que passou a utilizar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o BNDES para aumentar o crédito imobiliário, estudantil e também para pessoas físicas, além da gestão dos programas sociais e investimentos em obras de infraestrutura.

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